O que levar em conta no momento de escolher um companheiro de quatro patas? Devo escolher um cão ou um gato? Há quem prefira os cachorros pela obediência e companheirismo, há quem prefira os felinos pela independência e personalidade vincada.

O fato é que ambos oferecem amor e afeto incondicional – mas, na hora de escolher um novo amigo de quatro patas, é preciso ter em atenção qual deles se adequa melhor ao estilo de vida e rotinas familiares.

A médica-veterinária Ilda Gomes Rosa, especialista em comportamento animal, nos ajuda a definir os parâmetros. Na hora de tomar a decisão, ela conta que a escolha “deve ser conduzida, aconselhada e não forçada” e não pode ser feita apenas “com o coração, tem de ser uma decisão da razão”.

“Não podemos adotar porque um animal é legal e levá-lo logo para casa. Muitas vezes o tutor pode voltar atrás, porque não era aquilo que eles estavam esperando. Muitas vezes as pessoas só vão pela beleza do animal, mas o animal tem muito mais além disso”, resume.

Com personalidades e comportamentos diferentes, é preciso entender qual espécie se adapta melhor à rotina da casa (Foto: reprodução)

Então, que fatores devem as famílias ter em conta? Primeiro, a preferência inata que têm por uma ou pela outra espécie, explica a médica-veterinária. Depois, as rotinas diárias e a facilidade que terão em “encaixar” o novo membro nas mesmas.

Ilda alerta ainda para a necessidade de ter consciência que não se pode esperar “de um cão aquilo que se tem de um gato e vice-versa”, uma vez que são duas espécies completamente diferentes. 

Deve ainda ter-se em conta a idade do animal a trazer para casa e as necessidades correspondentes a cada fase. “Se vão adotar um bebê, vão ter todos os problemas que o filhote traz, implicando gastos energéticos muito maiores. Se vai buscar um animal adulto, muitas vezes não têm noção do comportamento porque não os viram crescer”, diz a médica veterinária.

“Há pessoas que deixam os cães 12 horas sozinhos e quando chegam a casa há cocôs e xixis e zangam-se muito porque estão à espera que o animal não faça nada. Eu costumo perguntar ‘nessas 12 horas, quantas vezes o humano foi ao banheiro?’”, complementa. 

Por isso, é preciso adaptar as expectativas e perceber que cada animal é diferente. 

O cão rói os móveis, o gato pendura-se  nas cortinas. A necessidade de uma “casa à prova de criança” é uma das poucas coisas que os une, já que são mais as diferenças do que as semelhanças entre estas duas espécies.

“Estamos falando de duas espécies completamente diferentes, uma domesticada há muito mais tempo, portanto com níveis de seleção para obediência e para ligação ao ser humano muitíssimo maiores”, diz ela sobre o cão, e complementa sobre o gato: “É muito mais independente, acha que a casa não é nossa, é dele. Pode não ter o nível de empatia que muitas vezes as pessoas esperam, mas é um animal excepcional para se ter”.

Também é possível escolher ter os dois em casa – lembre-se, apenas, de respeitar o processo de adaptação (Foto: reprodução)

Mas, o que os une? Ambos precisam de rotinas: “Educação desde o primeiro dia, com estabelecimento de regras, lugar onde dormir e horas é alimentado. Os animais precisam de rotinas, como nós”.

Quanto ao sexo do animal, Ilda explica que machos tendem a ser mais territoriais e agressivos do que as fêmeas, independentemente de serem cães ou gatos. 

E para quem não consegue escolher? Se gosta de ambos, saiba que é possível as duas espécies conviverem felizes. Mas, para isso, são precisos alguns cuidados, sobretudo na introdução: “Eu prefiro introduzir cachorros numa casa já com gatos, do que fazer o contrário, mas também já introduzi gatinhos numa casa já com cães adultos”. A médica-veterinária recomenda respeitar o tempo de adaptação. 

Se deseja acrescentar um amigo de quatro patas à família, também vale pedir ajuda a um especialista ou médico-veterinário antes de se comprometer. “As pessoas deveriam pedir ajuda antes de ter o animal. Falar e perguntar. Pedir aconselhamento ao veterinário. Expôr as condições de vida que têm e perguntar que animal se adequa mais”, aconselha Ilda. Estes profissionais serão capazes de o auxiliar naquela que será uma decisão para a vida.

Fonte: SIC Notícias, adaptado pela equipe Cães e Gatos VET FOOD.

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