A Nvidia é um dos grandes destaques da Nasdaq no primeiro trimestre de 2023.  (Imagem: REUTERS/Tyrone Siu)

Não há como falar do surpreendente desempenho da Nasdaq no primeiro trimestre, sem citar a Nvidia Corp. (NVDA) como uma de suas principais campeãs.

Quem comprou o papel da empresa especialista em computação e semicondutores no início de 2023, colheu uma valorização de 90%. O BDR NVDA34, listado na B3, também decolou e anota uma alta de quase 80%, superando em larga margem as concorrentes do setor de tecnologia.

O rali da ação marca a volta por cima, ou pelo menos a tentativa de uma, da Nvidia. Durante o ano passado, o aumento de juros agiu como um rolo compressor por cima das ações de crescimento e a sorte da Nvidia não foi diferente.

O encarecimento do custo de capital fez com que a demanda por semicondutores evaporasse no mercado, calcada em um menor consumo de componentes eletrônicos e menor ritmo de mineração de criptoativos.

Porém, os ventos parecem ter mudado de direção nos últimos meses, à medida que o ciclo de semicondutores começa a ensaiar alguma recuperação na economia. Mas o que vem despertando mesmo a atenção dos investidores são os novos desenvolvimentos da Nvidia em data center.

Data centers e o mercado de semicondutores

Os data centers são os locais físicos onde máquinas de computação e seus equipamentos de hardware são relacionados, possibilitando às empresas o armazenamento de dados cruciais à operação. Quanto mais complexa é a operação da companhia — imagine, por exemplo, a necessidade de processamento de dados da Microsoft, Meta ou Alphabet — tanto mais robusto e complexo serão esses espaços.

É nesse segmento que a Nvidia joga o seu jogo. Atualmente, a empresa oferece plataformas de computação acelerada, integrando hardware a software, que são utilizados pelas grandes companhias para a implementação de suas cargas de trabalho.

Além da base para a análise de dados (como já mencionado), outras aplicações destacadas para as plataformas de computação da Nvidia incluem a computação de alto desempenho (HPC – High-Performance Computing), renderização e, claro, inteligências artificiais (AIs).

No mês passado, a empresa deu mais um passo no mercado de data centers, ao anunciar uma nova linha de produtos integradas aos maiores provedores do serviço de computação em nuvem, como o Azure da Microsoft e o Amazon Web Services.

Para os analistas que acompanham a ação, os últimos anúncios da Nvidia explicam por que a crescente demanda pelo Hopper GPU, hoje o produto mais avançado do portfólio de soluções computacionais, continuará sendo um “vento de popa” para a companhia.

Para Goldman, Nvidia continua sendo um papel atrativo

Mesmo que tenha avançado 90% em 2023, e 120% desde outubro de 2022, o potencial para crescimento da Nvidia pode ainda não ter sido completado.

Em seu último relatório sobre soluções de inteligência artificial, divulgado no fim de março, o Goldman Sachs reiterou a posição de compra no papel da empresa de tecnologia, não obstante a ação estar negociando a 55x do seu EPS (cálculo do próprio Goldman), um múltiplo considerado ‘caro’.

Para o banco de investimentos, a Nvidia continuará se beneficiando da “proliferação de IA e de serviços de nuvem por todo o espectro de aplicações”.

Face a esse contexto, é esperado que a empresa cresça e expanda suas margens de lucro, impulsionada, fundamentalmente por três fatores principais:

  1. crescimento sequencial no negócio de Data Center;
  2. fortalecimento cíclico no negócio de Jogos e renderização de gráficos;
  3. diversificação do portfólio de produtos.

Em convergência com a avaliação do Goldman Sachs, a KeyBanc Capital Markets revisou a projeção de upside para a ação da companhia de US$ 280 para US$ 320, citando a recente tração no setor de inteligência artificial. Até o meio de março, a Nvidia era, disparada, a empresa com mais recomendações de compra da Bolsa americana.

Mesmo que viva seu ‘céu de brigadeiro’, algumas âncoras podem atrapalhar o desempenho da empresa. De acordo com o Goldman, restrições na oferta de semicondutores, provindos por mais gargalos de importação da China e o ambiente macroeconômico desafiador para os principais clientes da empresa são citados como fatores de baixa pelo Goldman.

Às 13h45, as ações da Nvidia perdem 1,31% em Nova York, puxadas por resultados de encomendas mais fracos da TSMC.



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