As Helenas de Manoel Carlos são um clássico da teledramaturgia brasileira. Nas peles de nomes como Christiane Torloni, Vera Fischer e Maitê Proença, elas andavam pelo Leblon e entregavam sorrisos e carisma. Agora, a personagem volta em uma versão muito mais comum no dia do brasileiro e ganha vida com o humor e experiência de Rodrigo Sant’anna. 

O ator está de volta ao catálogo da Netflix com a segunda temporada de A Sogra Que Te Pariu. A sua Helena é, na verdade, uma Dona Isadir muito animada e cheia de críticas aos ricos que formam a “alta sociedade” brasileira. A inspiração do humorista vem dos quase 30 anos vividos nos subúrbios cariocas com mulheres de baixa renda, tanto dentro de casa quanto nos caminhos que ele cruzou. 

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“Por muito tempo a elite manteve nas mãos a possibilidade de contar as suas histórias, por muito tempo a Helena era do Leblon. Agora eu quero fazer a Helena subindo a comunidade, a Helena vindo de trem do Méier, de Itaquera, das periferias. Acho que é [hora de] dar protagonismo para essas pessoas”, garante o artista em entrevista ao Metrópoles

Com episódios que trazem divertidas críticas sociais, a temporada aparece também como uma oportunidade de olhar diferente para pessoas de classe baixa. “É hora do suburbano mostrar seu valor. Da gente ver que são pessoas extremamente alegres, coloridas, verdadeiras, divertidamente extravagantes, e me orgulha poder falar da minha gente”, compartilha o ator. 

Rodrigo explica ainda que é preciso saber conviver com os diferentes perfis sociais e que não é preciso seguir os maneirismos empregados pela elite, que têm sido incorporados como padrão. “Eu sou suburbano, posso falar alto e isso não é um problema, não pode ter um problema. Acho que isso é que me deixa mais orgulhoso do trabalho que eu faço, de ficar o tempo inteiro falando ‘não, eu posso chegar em uma casa da Barra e falar alto’, e pode ser divertido isso. Extrair o humor disso é meu objetivo final.”

Transformação e resgate

A Sogra Que Te Pariu vem com o que o protagonista considera “o benefício de uma segunda temporada”. Agora, o elenco está mais integrado e isso aparece na interação dos personagens. Mas quem realmente avalia se as coisas estão realmente funcionando no estúdio é o público. Isso porque, como foi comum nos sitcoms que marcaram os anos 1990, a produção traz a plateia como um elemento essencial. 

“Para mim [a plateia faz toda a diferença na hora da gravação de um programa de humor]. Acho que a gente fica mais quente, mais motivado a fazer a piada. Quando você está em um estúdio, frio, sem ninguém, parece que você não fecha o ciclo do trabalho, do propósito que é a comédia, que é alguém rir no final”, avalia Sant’anna.

O humorista explica que essa participação faz com que o elenco saiba quais piadas funcionam, mas também conheçam aquelas que empacam. Assim, eles podem improvisar nas falas e melhorar roteiros futuros para garantir risadas nas próximas gravações. 

Com tudo isso, o artista ainda sabe que hoje é preciso ponderar as falas e garantir um humor que acompanha a evolução da sociedade. “Que tipo de piada que eu faço que ainda reverbera em você, que ainda te faz rir, que não te fere? Por exemplo, tem piadas que já fiz e hoje não faria em hipótese alguma. Isso faz parte de uma evolução, isso é o humor”, garante. 





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