Desde que foi anunciada, a participação de Greg Brockman, co-fundador e presidente da OpenAI era uma das mais aguardadas do SXSW 2023. Motivos óbvios. O ChatGPT virou uma obsessão global nos últimos meses e tem ditado as conversas sobre tecnologia, economia, sociedade e o futuro da inteligência artificial.

Brockman é um veterano de Sillicon Valley, mas tá bem longe parecer um vilão da Skynet (ou de um filme de James Bond, como seu colega Elon Musk). Na verdade, mesmo com a ascensão repentina ao estrelato, se mostrou um cara simples e família, citando a esposa diversas vezes, aliás. Porém, isso não significa que já não esteja bem treinado para responder perguntas espinhosas sobre sua companhia e suas criações baseadas em machine learning com potencial de impactar a aventura humana na Terra.

E olha que a jornalista Laurie Segall – com longa experiência em entrevistar líderes em tecnologia – fez um ótimo trabalho. Com as perguntas mais importantes sobre o tema, mesmo quando a conversa arriscava ficar no terreno anedótico – e sempre buscando “apertar” o entrevistado quando ele tentava escapar pela tangente. Uma tarefa inglória, já que mesmo assim Greg Brockman distraiu a todos com respostas evasivas.

O executivo começou falando sobre a missão da OpenAI, que é criar “IA avançada de forma segura e benéfica para a humanidade”. Ele explicou que a empresa foi fundada — deixando de ser uma ONG — porque havia uma necessidade urgente de abordar as preocupações em torno da IA, especialmente com relação à segurança. Brockman admitiu que, embora a IA tenha o potencial de mudar o mundo para melhor – ele citou a medicina como uma das grandes beneficiárias da tecnologia – também pode ser perigosa se não for desenvolvida com cuidado.

A conversa também abordou as preocupações éticas em torno do desenvolvimento da IA. Brockman reconheceu que a IA levanta muitas questões éticas complexas, incluindo o debate filosófico sobre a senciência das máquinas e a propriedade intelectual. Ele observou que, obviamente, essas questões ainda não foram completamente resolvidas e que será necessário trabalhar até com filósofos e outros especialistas para encontrar soluções.

Outro tópico abordado foi o papel do capital na IA. Brockman explicou que, embora investimentos sejam importantes para financiar o desenvolvimento da tecnologia, também pode ser problemático se os incentivos não estiverem alinhados com a missão de criar IA segura e benéfica que ele tanto acredita. 

Apesar de evolução rápida das ferramentas de inteligência artificial e sua adoção mais ampla e acessível a cada dia, ainda temos muito mais perguntas do que respostas. Isso explica a necessidade de filósofos, citada por Greg Brockman. Afinal, como ele mesmo destacou, a IA é talvez o projeto mais importante, esperançoso e assustador da história humana.






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