Existe um bilionário, filantropo e entusiasta da inteligência artificial que não se pronunciou sobre pausar a tecnologia: Bill Gates (Wikimedia Commons)

Pesquisadores, especialistas, executivos do setor de tecnologia e até mesmo o bilionário Elon Musk endossaram uma carta aberta na última quarta-feira (29). Na mensagem, eles convidam empresas de todo o mundo a pausar o desenvolvimento de inteligências artificiais, como o ChatGPT, pelo período de seis meses.

O rápido avanço e a ausência de protocolos de segurança acerca do assunto impulsionaram a publicação da carta aberta pelo grupo sem fins lucrativos Future of Life Institute. A temática pegou maior tração após o lançamento do ChatGPT, em novembro do ano passado.

Porém, existe um bilionário, filantropo e entusiasta da tecnologia de inteligência artificial que ainda não se pronunciou sobre o caso: Bill Gates, fundador da Microsoft.

Aliás, a Microsoft fez um investimento multimilionário na OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT no início deste ano. Apesar de não estar mais no comando da empresa, em seu blog, Gates traz discussões sobre assuntos de tecnologia.

Bill Gates inclusive já comentou em seu perfil do Twitter que acredita que o movimento dos avanços em inteligência artificial é mais importantes até que a própria criação da internet.

O fato é que, após tantos especialistas e grandes nomes do setor, se posicionarem a favor ou contra a carta aberta, Bill Gates segue em silêncio até o momento.

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Bill Gates e inteligência artificial

Em seu blog, o bilionário escreveu suas considerações sobre os avanços na área no dia 21 de março. Ou seja, antes da publicação da carta aberta do instituto Future of Life.

Apesar do artigo “pré-carta aberta” estar bastante em linha com as discussões atuais, impulsionadas após a divulgação da carta aberta, Gates não voltou a se pronunciar diretamente sobre o acontecimento. 

Nos primeiros parágrafos, Bill Gates comenta sobre as vantagens trazidas pela inteligência artificial (IA) em setores como educação, saúde. Além disso, ele cita ganhos de produtividade.

Porém, nos últimos parágrafos, discorre sobre os riscos. “Outras preocupações não são simplesmente técnicas. Por exemplo, existe a ameaça representada por humanos armados com inteligência artificial. Como a maioria das invenções, a inteligência artificial pode ser usada para fins bons ou malignos. Os governos precisam trabalhar com o setor privado para encontrar formas de limitar os riscos. Depois, há a possibilidade de que os IAs fiquem fora de controle”, escreveu.

Gates não descarta a possibilidade de uma máquina poder decidir que os humanos são uma ameaça, e concluir que seus interesses são diferentes, simplesmente parando de se importar com a humanidade. “Mas esse problema não é mais urgente hoje do que era antes dos desenvolvimentos da IA ​​nos últimos meses. Inteligência artificial superinteligentes estão em nosso futuro”, diz.

Para Bill Gates, não importa o que aconteça, o assunto de inteligência artificial dominará a discussão pública no futuro previsível.

Sugestões de Gates

No blog, o bilionário destaca três sugestões de como lidar com o cenário.

“Primeiro, devemos tentar equilibrar os temores sobre as desvantagens da inteligência artificial ​​– que são compreensíveis e válidas – com sua capacidade de melhorar a vida das pessoas. Para aproveitar ao máximo essa notável nova tecnologia, precisaremos nos proteger contra os riscos e distribuir os benefícios para o maior número possível de pessoas.

Em segundo lugar, as forças de mercado não produzirão naturalmente produtos e serviços de IA que ajudem os mais pobres. O oposto é mais provável. Com financiamento confiável e as políticas certas, os governos e a filantropia podem garantir que as tecnologias de inteligência artificial sejam usadas para reduzir a desigualdade. Assim como o mundo precisa de suas pessoas mais brilhantes focadas em seus maiores problemas, precisaremos focar as melhores tecnologias de inteligência artificial do mundo em seus maiores problemas.

Embora não devamos esperar que isso aconteça, é interessante pensar se a inteligência artificial algum dia identificaria a desigualdade e tentaria reduzi-la. Você precisa ter um senso de moralidade para ver a desigualdade, ou uma IA puramente racional também a veria? Se reconhecesse a desigualdade, o que sugeriria que fizéssemos a respeito?”



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