Listada há dois anos na B3, a Bemobi (BMOB3) teve que mudar o rumo do negócio para sobreviver ao cenário macroeconômico global extremamente desafiador desde 2020, quando teve início a pandemia de Covid-19. Segundo Pedro Ripper, CEO do grupo, o cenário atual para o câmbio e para a guerra na Ucrânia não gera otimismo, mas ele está confiante nos fundamentos da empresa.

Na mudança de rota, as assinaturas digitais deixaram de ser a principal fonte de receita da companhia e, agora, representam um terço do total. A maior parte dos recursos vem de pagamentos digitais e microfinanças. Em 2022, a Bemobi reportou um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de R$ 180 milhões, um crescimento de 49% sobre o valor visto um ano antes.

“A gente levantou no IPO cerca de R$ 1,2 bilhão, dos quais R$ 600 milhões ficaram com a empresa e o restante remunerou os acionistas. Do dinheiro que ficou na empresa, boa parte era para fazer aquisições. Fizemos duas em 2022 e estamos certos de que fizemos bons negócios, pois dobramos o tamanho da companhia e conseguimos recompor nosso caixa”, disse o executivo.

Ele participou do Por Dentro dos Resultados, projeto no qual o InfoMoney entrevista CEOs e diretores de importantes companhias de capital aberto, no Brasil ou no exterior. Os executivos falam sobre o balanço do quarto trimestre e ano fechado de 2022 e sobre perspectivas. Para acompanhar todas as entrevistas da série, se inscreva no canal do InfoMoney no YouTube.

Não fosse a guerra na Ucrânia e a volatilidade do câmbio, o desempenho financeiro da Bemobi em 2022 teria sido melhor. No quarto trimestre, por exemplo, esses dois fatores reduziram o crescimento do Ebitda ajustado do período, na comparação anual, para 12% (teria sido 21% em condições normais).

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Isso porque a Bemobi foca suas operações em países emergentes, com presença relevante nas nações que antigamente compunham a União Soviética, como Rússia e Ucrânia. Ela tem atualmente cerca de 100 parceiros — principalmente operadoras de telefonia móvel — em mais de 50 países.

Sobre essa estratégia, o CEO disse que há vantagens e desvantagens: por um lado, os emergentes são países que crescem bastante e, portanto, apresentam muita oportunidade de negócio; por outro lado, há mais volatilidade, com boa parte da população em uma situação econômica mais frágil, além de mais instabilidade política.

“[A guerra na Ucrânia] foi um desafio. Quando a gente olha para 2023, infelizmente, não parece que a gente terá um fim desse conflito, a gente vai ter que viver com esse ambiente ainda, que tem impacto direto [nas nossas operações]”, afirmou Ripper.

“Então, eu não estou otimista do ponto de vista do câmbio, eu não estou otimista do ponto de vista de ter uma mudança dramática no conflito triste que a gente está vendo entre Rússia e Ucrânia, mas eu estou otimista do ponto de vista dos fundamentos do negócio. A gente se posicionou em áreas que todas crescem, e a gente obviamente quer ganhar share nas áreas que a gente está”, completou. “A gente ainda é otimista que 2023 será um ano sólido e que a gente vai ter uma trajetória de crescimento, que é a mesma que a gente faz há dez anos.”

Com quase R$ 600 milhões no caixa, o CEO disse que a Bemobi avalia sim fazer novas aquisições, mas que está esperando o melhor momento para fazer bons negócios. Por isso, ele acredita que agora não é o melhor momento para aumentar a distribuição de dividendos aos acionistas, até porque o cenário de juros altos e maior restrição de crédito coloca as empresas com bastante caixa em uma posição mais confortável.

“Vocês estão com quase R$ 600 milhões em caixa. Não seria o caso de pagar um belo dividendo? Eu acho que é uma provocação justa, mas a gente está bem confiante de que a gente sabe alocar capital bem e que a gente conhece essa área de negócio que a gente atua. Quem estiver capitalizado nesses próximos 18 meses, vai ter oportunidade de fazer boas aquisições. Elas não aparecem toda hora. A gente não quer perder essa janela e, para isso, acho que não faz sentido a gente fazer um dividendo grande agora”, afirmou.

Ripper falou ainda sobre a escassez de desenvolvedores na área de tecnologia, sobre e quais regiões do mundo a Bemobi pretende crescer, sobre a decisão de não ter operações na China, sobre hedge natural para o risco de câmbio e sobre a migração de clientes da Oi Móvel para outras operadoras no Brasil e como isso afeta o resultado da companhia. Veja a entrevista completa no player acima, ou clique aqui.



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