O Museu do Ipiranga, localizado no Parque da Independência, na Zona Sul de São Paulo, reabre as portas ao público no dia 8 de setembro, como parte das comemorações do Bicentenário da Independência do Brasil. O edifício histórico, oficialmente chamado Museu Paulista da Universidade de São Paulo (USP), permaneceu fechado por nove anos e recebeu obras de revitalização.

Com a conclusão da reforma, o museu terá duas amplas entradas, bilheteria, um auditório para 200 pessoas, além de espaço educativo, café, loja e sala de exposição temporária. A área total construída terá o dobro do que tinha anteriormente e oferecerá total acessibilidade por elevadores e escadas rolantes e um novo sistema de ar-condicionado.

A instituição científica, cultural e educacional conta com um acervo de mais de 450 mil unidades, entre objetos, iconografia e documentação textual, do século 17 até meados do século 20. Os materiais permitem o entendimento das mudanças da sociedade brasileira ao longo do tempo.

As obras para viabilizar o novo Museu do Ipiranga contaram com R$ 183 milhões autorizados via Lei Rouanet, a principal ferramenta de fomento à cultura no país. Por meio da lei, os projetos recebem uma chancela federal que se reflete em isenções fiscais a apoiadores da ação, quer sejam empresas ou cidadãos comuns.

Destaques

Uma maquete que retrata a cidade de São Paulo em 1841 poderá ser vista na reabertura do museu. A obra, projetada pelo artista holandês Henrique Bakkenist, é composta por gesso. A peça, que mede 5,1 m de largura por 6 m de comprimento, foi inaugurada há 100 anos, como parte das comemorações do centenário da independência.

Elaborada a partir de fotografias da época, desenhos e pinturas, a obra apresenta detalhes da região central de São Paulo no século 19. No modelo, é possível observar prédios que existem até hoje, como o Museu de Arte Sacra de São Paulo e o Pateo do Collegio.

Na exposição Territórios em Disputa, os visitantes poderão observar o astrolábio, um antigo instrumento utilizado para medir a altura da estrela no horizonte, permitindo saber o horário, o melhor momento da colheita, além de outras curiosidades do calendário astronômico. O original ficará em uma vitrine e uma cópia poderá ser manuseada pelos visitantes.

Artistas modernistas como Mário de Andrade, Menotti Del Picchia, Tarsila do Amaral e Anita Malfatti estamparam selos, que hoje fazem parte do acervo do museu. Lançados pelos Correios no centenário de nascimento dos artistas, os selos estarão disponíveis para observação.

No Bicentenário da Independência, o famoso quadro “Independência ou Morte” poderá ser contemplado na reabertura do espaço. A obra, encomendada por Dom Pedro II ao pintor Pedro Américo, foi feita em 1888 em Florença, na Itália.

Histórico

O Museu do Ipiranga foi inaugurado em 7 de setembro de 1895, como museu de História Natural e marco representativo da independência, da história do Brasil e paulista. De acordo com a USP, o primeiro núcleo de acervo foi a coleção do Coronel Joaquim Sertório, que fazia parte de um museu particular em São Paulo.

No período do Centenário da Independência, em 1922, formaram-se novos acervos, com destaque para a história de São Paulo. Além disso, o edifício ganhou nova decoração interna, com pinturas e esculturas.

Com informações da Agência Brasil, do Jornal da USP e da Agenda Bonifácio.



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